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Cerca de 85% dos alunos da Escola Estadual Prof. Pedro Reys, a única que oferece o ensino médio no município, residem nos povoados e necessitam do transporte escolar

Próximo da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que acontecerá em novembro, os alunos da Escola Estadual Prof. Pedro Reys, na cidade de Igreja Nova, localizada na região do Baixo São Francisco, estão sem poder frequentar as aulas devido à paralisação dos ônibus que fazem o transporte dos estudantes residentes nos povoados no município.

“A Escola Pedro Reys tem 1.121 alunos matriculados, destes, quase 85% residem nos povoados e necessitam do transporte escolar para chegarem à única unidade escolar do município que oferece o ensino médio”, relata o professor Atiliano João de Deus, que fez a denúncia à imprensa.

De acordo com o professor Atiliano, que também é jornalista e radialista, ao retornar do recesso escolar, os alunos foram surpreendidos pela paralisação dos transportadores, devido à falta de pagamento por parte da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

O professor Atiliano conta que, segundo um motorista que não quer se identificar com medo de represália, essa é uma situação que já vem se arrastando há muitos anos. “A falta de pagamento inviabiliza a continuidade dos serviços devido às despesas com motorista, combustível e manutenção do veículo. Além de não pagar, o governo ainda se acha no direito de ameaçar os transportadores, dizendo que se não voltarem mesmo sem receber, vai substituir o transporte pelos 100 ônibus novos que foram comprados”, aponta.

Segundo o professor, na última quinta-feira (11), os professores do período matutino não ministraram as aulas devido à pequena quantidade de alunos que compareceu à escola, totalizando apenas 45 alunos em todo o turno da manhã. “Em uma decisão coletiva, a maioria dos docentes decidiu por não ministrar aulas para não prejudicar aqueles que não puderam ir, com o compromisso de repor essas aulas assim que o transporte for normalizado”, explica.

Na manhã da segunda-feira (15), a gerente da 9ª Gerência Regional de Ensino/Penedo reuniu a diretora, as coordenadoras e os professores da Escola Estadual Prof. Pedro Reys no intuito de discutir o assunto da paralisação das aulas na quinta-feira e o transporte escolar. “Após diversas discussões calorosas por parte de alguns presentes, a gerente pediu que todos cumprissem a Portaria nº 472/2019 em seu Art. 30, Inciso 2, que diz que o Professor deve ministrar aula mesmo que seja para um único aluno”, destaca o professor.

De acordo com o professor Atiliano, a Escola Pedro Reys continua com um número reduzidíssimo de alunos e os professores estão seguindo a orientação, ministrando as aulas, em algumas salas com apenas um aluno, enquanto outras salas continuam sem aulas por falta de alunos.

Na opinião do professor Atiliano, o que o Estado de Alagoas está fazendo com os alunos de Igreja Nova é “crime”. “A escola é a única de ensino médio do município e muitos alunos vão fazer o ENEM em novembro deste ano. O prejuízo é irreparável, já que esses conteúdos perdidos não serão mais recuperados. Sem contar que, para atender à Portaria, durante toda semana que vem, acontecerá um simulado valendo 4,0 pontos para a composição da nota bimestral. A pergunta que fica é: E os alunos que não estão indo as aulas por falta de transporte, como vão ficar? Já imaginaram o crime que o professor está ajudando o Estado a cometer com o aluno ao fazer o simulado bimestral com apenas um aluno na sala?”, desabafa.

Segundo o professor, é preciso que o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL) faça uma visita à Escola Pedro Reys para verificar o problema da falta de transporte escolar e também as condições de trabalho as quais os profissionais da educação estão submetidos.

“São salas insalubres, sem os conjuntos de mesa e cadeira para alunos e professores, sem ventiladores, instalações elétrica e hidráulica precárias, laboratório de informática sem nenhum computador, laboratório de ciências com todo material obsoleto, instalações sanitárias precárias, auditório e refeitório sem mobiliário, Sala da TV Escola sem equipamentos, biblioteca sem livros e sem materiais de consumo, entre outros. Aos alunos da Escola Estadual Prof. Pedro Reys está sendo negado um dos mais nobres direitos constitucionais, o Direito à Educação”, lamenta o professor Atiliano.

Por: Redação com Assessoria


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