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Contratos de R$ 4 milhões em obras escolares de Craíbas entram na mira do MPF.

Contratos de R$ 4 milhões em obras escolares de Craíbas entram na mira do MPF.

Apuração envolve contratos de obras em unidades escolares custeadas com recursos do FUNDEB.

Teófilo José Barroso Pereira, prefeito de Craíbas, durante assinatura de documentos administrativos. (Foto: Reprodução/Instagram)

CRAÍBAS (AL) — Uma investigação que apura possíveis irregularidades em contratos de obras realizadas em escolas do município de Craíbas deixou de ser conduzida pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e passou para a esfera federal.

A mudança ocorreu após o próprio MP constatar que os pagamentos investigados estariam ligados a recursos do FUNDEB/FUNDEF, considerados verba federal, o que desloca a atribuição para o Ministério Público Federal (MPF).

Como o caso começou

A apuração teve início a partir de uma denúncia, instrumento usado pelo Ministério Público para verificar denúncias iniciais. No documento, foram apontadas suspeitas relacionadas a processos licitatórios e à execução de contratos de obras em unidades escolares do município, incluindo questionamentos sobre valores, pagamentos e a qualidade da execução dos serviços.

Com base nessas informações, o MPAL instaurou um Inquérito Civil, etapa mais aprofundada de investigação, para reunir documentos, ouvir esclarecimentos e analisar se houve irregularidades administrativas ou danos ao erário.

Cobrança de documentos e esclarecimentos

Durante o andamento do inquérito, a 10ª Promotoria de Justiça de Arapiraca enviou ofícios à Prefeitura de Craíbas solicitando cópias do edital da Concorrência nº 02/2022 e do contrato administrativo firmado para a execução das obras. As requisições foram direcionadas ao prefeito Teófilo José Barroso Pereira, responsável pela gestão municipal no período da contratação e da execução dos serviços.

Segundo os autos, houve necessidade de reiterar os pedidos e prorrogar prazos para a conclusão da investigação, diante da complexidade do caso e do volume de documentos analisados.

Por que o caso foi enviado ao MPF

Ao avançar na análise, o Ministério Público Estadual identificou que os contratos e pagamentos questionados teriam sido custeados com recursos do FUNDEB/FUNDEF, fundo composto majoritariamente por verbas federais destinadas à educação básica.

De acordo com o entendimento do MP, quando há suspeita envolvendo uso, desvio ou aplicação irregular de verba federal, a competência para investigar e eventualmente propor ações judiciais passa a ser da esfera federal. Manter a apuração no âmbito estadual poderia gerar conflito de atribuições ou duplicidade de investigações.

Por esse motivo, o MPAL formalizou o chamado declínio de atribuição, determinando que o procedimento seja encaminhado ao Conselho Superior do Ministério Público e, posteriormente, à Procuradoria da República em Alagoas, para condução pelo Ministério Público Federal.

O que muda a partir de agora

A remessa do caso ao MPF não significa arquivamento da investigação. Na prática, a apuração continua, mas passa a ser conduzida por um órgão com competência para analisar a aplicação de recursos federais e, se for o caso, acionar a Justiça Federal.

Até o momento, não há decisão judicial nem conclusão sobre responsabilidades. O procedimento segue em fase investigativa, e eventuais conclusões dependerão da análise técnica e jurídica a ser realizada pelo Ministério Público Federal.

Tentamos contato com o prefeito Teófilo José, mas até o fechamento desta reportagem, não obtivemos resposta.

A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Craíbas e seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

Da redação com Br104.

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