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Terremotos na Venezuela são os mais fortes em mais de 100 anos e deixam rastro de destruição.

Terremotos na Venezuela são os mais fortes em mais de 100 anos e deixam rastro de destruição.

Sequência de abalos de magnitudes 7,1 e 7,5 foi a mais intensa registrada no país desde 1900; autoridades confirmam mortos, feridos e milhares de desaparecidos

 

Equipes de resgate atuam em áreas destruídas após os terremotos mais fortes registrados na Venezuela em mais de 100 anos. – Foto: Edilzon Gamez/Getty Images

Os dois terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24) entraram para a história como os mais fortes registrados no país em mais de um século. Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os abalos de magnitudes 7,1 e 7,5 foram os mais intensos desde o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu a costa norte venezuelana em 1900.

Os tremores ocorreram com apenas 39 segundos de diferença e provocaram destruição em diversas regiões do país. O primeiro foi registrado às 18h04 (horário local), com epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy. Pouco depois, um segundo terremoto, ainda mais forte, atingiu a região de Yumare, a cerca de cinco quilômetros do primeiro epicentro.

Além dos dois grandes abalos, mais de 20 tremores secundários foram registrados, aumentando o temor entre os moradores e dificultando as operações de resgate.

Histórico de terremotos

Embora a região norte da Venezuela esteja localizada em uma área de intensa atividade sísmica, eventos dessa magnitude são considerados raros.

De acordo com o USGS, apenas sete terremotos de magnitude igual ou superior a 6 foram registrados na região nos últimos seis anos. O episódio mais devastador da história recente ocorreu em julho de 1967, quando um terremoto de magnitude 6,6 provocou cerca de 240 mortes e deixou centenas de pessoas feridas.

Mortos, feridos e desaparecidos

O governo venezuelano informou, em balanço preliminar, que os terremotos deixaram 32 mortos e mais de 700 feridos. As autoridades alertam, no entanto, que esses números ainda podem aumentar, já que equipes de resgate continuam atuando principalmente em La Guaira, apontada como a região mais afetada.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos também divulgou uma projeção baseada em seu sistema automatizado de avaliação de impactos, indicando que o desastre pode provocar entre 10 mil e 100 mil mortes. O modelo leva em consideração fatores como magnitude, profundidade, densidade populacional e vulnerabilidade das construções.

Paralelamente, iniciativas populares criadas para ajudar famílias na localização de vítimas já registram 8.378 pessoas desaparecidas. Desse total, 418 foram encontradas, enquanto outras 7.960 permanecem sem contato com familiares.

Alertas de tsunami e destruição

Após os terremotos, o Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos chegou a emitir avisos para áreas costeiras do Caribe devido ao risco de ondas perigosas. Os alertas, porém, foram cancelados horas depois.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram prédios parcialmente destruídos, ruas cobertas por destroços e nuvens de poeira em diferentes cidades venezuelanas. Em La Guaira, vídeos registram o desabamento de edifícios e equipes de resgate trabalhando na busca por sobreviventes.

As operações de emergência continuam em andamento, enquanto autoridades monitoram a possibilidade de novas réplicas e avaliam a extensão dos danos causados pelos terremotos.

 

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