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Exclusivo: relatório da PF aponta que suposta amante de secretário investigado comprou mansão de R$ 1,69 milhão, recebeu Pix e teve despesas custeadas.

Exclusivo: relatório da PF aponta que suposta amante de secretário investigado comprou mansão de R$ 1,69 milhão, recebeu Pix e teve despesas custeadas.

Relatório da PF cita Pix, mansão de R$ 1,69 milhão e despesas atribuídas à suposta amante de Gustavo Pontes

 

O secretário Gustavo Pontes e Andreia Araújo Cavalcante. – Foto: Reprodução/Redes Sociais

A segunda reportagem da série exclusiva do Francês News, baseada no inquérito da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de desvio de mais de R$ 100 milhões na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), detalha o papel atribuído pelos investigadores a Andreia Araújo Cavalcante, identificada no relatório como “possível amante” do secretário estadual da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira.

Logo nas primeiras páginas do documento, a Polícia Federal descreve a estrutura da suposta organização criminosa. Conforme o relatório, o grupo seria liderado por Gustavo Pontes e integrado, entre outros, pelo empresário Reinaldo Fernandes Júnior, pelo servidor estadual Luiz Dantas Vale e por Andreia Araújo Cavalcante.

A investigação sustenta que o grupo seria responsável pelo suposto desvio sistemático de recursos públicos destinados ao programa Mais Saúde/Especialidades, utilizando mecanismos de movimentação financeira e ocultação patrimonial. As apurações envolvem contratos celebrados entre a Secretaria da Saúde e a clínica NOT – Núcleo de Ortopedia e Traumatologia.

Denúncia anônima deu origem à investigação

O inquérito teve início em abril de 2024, após uma denúncia anônima encaminhada à Polícia Federal.

Segundo o relatório, o denunciante afirmou que a “amante do secretário estadual da Saúde” realizaria o transporte de dinheiro em espécie supostamente proveniente de atos de corrupção.

O documento registra ainda que Andreia teria recebido R$ 50 mil de Reinaldo Fernandes Júnior para esse transporte e costumava se hospedar em um apartamento alugado no bairro de Mangabeiras, em Maceió. Fotografias anexadas à denúncia, de acordo com a PF, permitiram identificar Gustavo Pontes e Andreia juntos.

Viagens chamaram atenção da PF

Ao aprofundar as investigações, a Polícia Federal afirma ter identificado um padrão considerado relevante de deslocamentos entre Brasília e Maceió.

Conforme o relatório, Andreia reside em Brasília, onde possui uma microempresa com capital social de R$ 5 mil. Antes disso, trabalhou como esteticista, com remuneração aproximada de R$ 1.200, e posteriormente ocupou um cargo comissionado na Assembleia Legislativa de Alagoas.

Mesmo com esse histórico profissional, os investigadores registraram dezenas de viagens entre Brasília e Maceió. O relatório destaca que, em diversas ocasiões, Gustavo Pontes embarcava para a capital federal poucos dias após Andreia, circunstância considerada relevante para a linha investigativa.

Mansão de R$ 1,69 milhão entrou na mira da investigação

Entre os fatos destacados pela Polícia Federal está a aquisição, por Andreia, de uma residência de alto padrão em Brasília.

O imóvel foi avaliado em R$ 1.690.000, valor que, segundo a PF, seria incompatível com a renda identificada durante as investigações.

O relatório informa ainda que Gustavo Pontes assinou uma confissão de dívida comprometendo-se a assumir o pagamento das parcelas da casa. Para os investigadores, esse documento passou a integrar os indícios relacionados à suposta ocultação patrimonial e à possível lavagem de dinheiro.

Loft em Maceió e empresa no Distrito Federal

Além da residência em Brasília, o inquérito menciona outros bens vinculados a Andreia Araújo Cavalcante.

Entre eles está um loft localizado em Maceió, que, segundo a investigação, teria sido utilizado por Gustavo Pontes.

O relatório também cita uma boutique registrada no Distrito Federal. Para a Polícia Federal, o capital social da empresa é incompatível com o patrimônio identificado ao longo das diligências.

Pix, mensagens e pedidos de dinheiro

A investigação reúne ainda uma série de movimentações financeiras atribuídas a Andreia.

Entre os documentos analisados consta um Pix de R$ 50 mil enviado por Reinaldo Fernandes Júnior, além de outras transferências bancárias.

Também foram extraídas mensagens de aparelhos celulares nas quais Andreia solicita dinheiro e cobra depósitos. Segundo o relatório, os investigadores localizaram comprovantes de Pix acompanhados de mensagens direcionadas a Gustavo Pontes, documentos que passaram a integrar o conjunto de provas reunidas pela Polícia Federal.

Para os investigadores, essas movimentações reforçam a hipótese de que despesas pessoais do secretário teriam sido custeadas por terceiros.

PF aponta possível uso de recursos da NOT para despesas particulares

Um dos trechos considerados mais relevantes do relatório afirma haver “robustos indícios” de que recursos recebidos pela clínica NOT foram utilizados para despesas particulares de Gustavo Pontes.

De acordo com a Polícia Federal, parte desses pagamentos teria sido realizada por meio de transferências destinadas a Andreia Araújo Cavalcante.

“Há robustos indícios de que os valores recebidos pela NOT têm sido desviados por Reinaldo para pagamentos particulares de Gustavo, sobretudo por meio de transferências bancárias em favor de Andreia”, registra o relatório.

Os investigadores também apuram se Gustavo Pontes teria permanecido como proprietário de fato da clínica mesmo após sua retirada formal do quadro societário.

Secretário voltou ao cargo por decisão do STJ

Gustavo Pontes foi afastado da Secretaria de Estado da Saúde durante a Operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025.

Em fevereiro deste ano, porém, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu o afastamento ao acolher argumentos da defesa sobre possíveis nulidades processuais. Na sequência, o governador Paulo Dantas (MDB) assinou o decreto que reconduziu o secretário ao cargo.

O inquérito segue em tramitação e passou à competência do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) após decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), que entendeu que os recursos investigados possuem origem estadual.

A defesa de Gustavo Pontes nega qualquer irregularidade, sustenta que a investigação apresenta nulidades processuais e afirma que essas questões serão analisadas pelo Poder Judiciário. Até o momento, não há condenação definitiva contra os investigados.

Jornal de Penedo com Francesnews

 

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