Caso Master: senadora liga Renan Calheiros aos escândalos do BMG e INSS e pede reabertura de investigações.
Dra. Eudócia afirma que crise do Banco Master repete esquema envolvendo consignados do INSS e acusa senador alagoano de atuar em favor de Daniel Vorcaro
A crise envolvendo o Banco Master colocou novamente o senador Renan Calheiros (MDB-AL) no centro de um embate político no Senado Federal. A senadora Dra. Eudócia Caldas (PSDB-AL) afirmou que o caso do conglomerado financeiro comandado por Daniel Vorcaro tem conexões com antigas suspeitas envolvendo o Banco BMG e o crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), classificando os episódios como “a mesma história”.
Durante discurso na tribuna do Senado, na última terça-feira (26), Eudócia acusou Renan de agir como “advogado de Daniel Vorcaro”, controlador do Banco Master, e o chamou de “pai da fraude do consignado do INSS”. A parlamentar anunciou ainda a intenção de coletar assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis ligações entre os casos BMG e Master.
No mesmo dia, a senadora protocolou representações junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), Polícia Federal (PF), Supremo Tribunal Federal (STF) e Ministério Público Federal (MPF), solicitando a reabertura de investigações relacionadas ao escândalo dos empréstimos consignados do INSS e ao antigo caso envolvendo o Banco BMG.
Renan preside comissão que acompanha caso Master
O movimento político ocorre enquanto Renan Calheiros ocupa posição estratégica no debate sobre o Banco Master. O senador alagoano preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e também a subcomissão criada para acompanhar os desdobramentos da crise envolvendo a instituição financeira.
Além disso, Renan é autor do Projeto de Lei nº 2502/2026, que prevê a cobertura integral pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para depósitos de regimes próprios de previdência social e fundos de previdência complementar que aplicaram recursos no conglomerado do Banco Master.
A proposta tem sido alvo de críticas por supostamente beneficiar fundos expostos ao banco controlado por Daniel Vorcaro. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chegou a questionar publicamente a medida, alegando que o FGC foi criado para proteger pequenos investidores e não grandes agentes institucionais.
O elo entre Banco Master e escândalo do BMG
Na ofensiva contra Renan, Eudócia resgatou denúncias surgidas em 2007 envolvendo o Banco BMG, quando investigações apontavam suposta influência política no mercado de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS.
À época, o advogado Bruno de Miranda Lins, ex-genro do lobista Luiz Carlos Garcia Coelho — apontado como próximo de Renan — prestou depoimento à Polícia Federal afirmando que o então presidente do Senado e o senador Romero Jucá (MDB-RR) teriam atuado para favorecer o BMG no sistema de consignados.
Segundo relatos divulgados na época, o esquema envolveria saques milionários em dinheiro vivo, circulação antecipada de minutas regulatórias do INSS e pagamentos destinados a operadores políticos.
As investigações chegaram ao Supremo Tribunal Federal por meio do Inquérito 2475, aberto a partir de desdobramentos do escândalo do mensalão. O caso acabou arquivado em relação a Renan Calheiros, que sempre negou irregularidades.
Apesar do arquivamento, as acusações voltaram ao centro do debate político após a crise do Banco Master e denúncias recentes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Nome ligado ao BMG reaparece no entorno do Master
Outro elemento citado pela senadora é a presença de Márcio Alaor de Araújo, ex-vice-presidente do Banco BMG, no ecossistema do Banco Master, especialmente na área relacionada a benefícios e crédito consignado.
O nome de Alaor voltou a ser mencionado em depoimentos prestados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O advogado Eli Cohen afirmou que o BMG estaria associado a fraudes em empréstimos consignados desde 2005 e citou Alaor em supostos esquemas envolvendo aposentados.
O Banco BMG repudiou as acusações e Márcio Alaor nega qualquer irregularidade. Até o momento, não há condenação relacionada aos fatos citados.
Renan nega irregularidades e defende proteção a aposentados
Renan Calheiros tem defendido que sua atuação no caso Banco Master busca proteger aposentados, pensionistas e fundos previdenciários eventualmente prejudicados pela crise financeira da instituição.
O senador também sustenta que a função do Senado é cobrar esclarecimentos do Banco Central e investigar eventuais falhas regulatórias no sistema financeiro.
Já para Dra. Eudócia, existe um conflito político e institucional. Segundo ela, o senador estaria utilizando sua posição de influência no Congresso para defender interesses ligados ao Banco Master, enquanto antigas suspeitas envolvendo o sistema de consignados seguem sem respostas definitivas.
“O Senado precisa investigar se o escândalo do Master começou antes do próprio Master”, afirmou a senadora, reforçando a tese de que o caso atual guarda semelhanças com o episódio do Banco BMG.



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