Carregando agora
×

Alagoas tem menor salário do Brasil e depende mais do Bolsa Família do que do emprego formal.

Alagoas tem menor salário do Brasil e depende mais do Bolsa Família do que do emprego formal.

Estado lidera ranking negativo de remuneração do IBGE; relatório mostra que renda do Bolsa Família supera a gerada pelos empregos formais, enquanto Maceió segue na contramão

 

Alagoas registra a menor média salarial do Brasil e ainda possui mais beneficiários do Bolsa Família do que empregos formais, segundo dados do IBGE, Caged e IpeaData. – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Alagoas vive um cenário que evidencia os desafios estruturais da economia estadual. Além de registrar a menor média salarial do país entre os trabalhadores formais, o estado também apresenta um número de beneficiários do Bolsa Família superior ao estoque de empregos com carteira assinada, reforçando a dependência das transferências de renda e a dificuldade de geração de oportunidades no interior.

Os dados são do relatório Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgado pelo IBGE, e de um levantamento comparativo elaborado com informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do IpeaData.

Segundo o IBGE, a remuneração média dos trabalhadores formais em Alagoas é de R$ 2.720,88, a menor entre todas as 27 unidades da federação. O valor está muito abaixo da média nacional, de R$ 3.932,45, e distante do Distrito Federal, líder do ranking, com média de R$ 6.845,13.

O cenário da renda acompanha outro indicador considerado preocupante. Em 2025, Alagoas possui 497.039 famílias beneficiárias do Bolsa Família, enquanto o estado contabiliza 453.517 empregos formais, segundo o Caged. Na prática, o número de beneficiários do programa social supera a quantidade de trabalhadores com carteira assinada.

A situação muda completamente quando a análise se concentra em Maceió.

Na capital alagoana, existem 244.442 empregos formais, contra 100.021 beneficiários do Bolsa Família. O resultado mostra que a economia da cidade apresenta maior dinamismo e capacidade de geração de empregos, diferentemente do restante do estado.

O levantamento aponta que Maceió concentra aproximadamente 30% da população alagoana, mas responde por cerca de 54% de todos os empregos formais existentes em Alagoas.

Entre 2020 e 2025, a capital criou 59.254 novos empregos formais, enquanto os demais 101 municípios alagoanos registraram 50.545 novas vagas. Ou seja, mesmo concentrando menos de um terço da população, Maceió gerou cerca de 17% mais empregos do que todo o interior do estado.

Outro dado chama atenção. Enquanto a população de Maceió cresceu entre os Censos de 2010 e 2022, a população do restante de Alagoas diminuiu, indicando um fluxo migratório em direção à capital em busca de oportunidades de trabalho.

Mercado de trabalho ainda concentrado

Os dados revelam que a atividade econômica permanece fortemente concentrada em Maceió. Fora da capital, a quantidade de beneficiários do Bolsa Família praticamente dobra o número de empregos formais.

No interior, são 397.018 beneficiários do programa social para apenas 209.075 empregos formais, demonstrando uma dependência significativamente maior das políticas de transferência de renda.

Os dados apontam que esse cenário evidencia a necessidade de políticas voltadas à interiorização do desenvolvimento econômico, atração de investimentos privados, qualificação profissional e expansão da atividade produtiva, reduzindo a concentração de empregos na capital.

Administração pública lidera empregos

O levantamento do IBGE mostra ainda que a administração pública, defesa e seguridade social responde por aproximadamente 28% dos empregos formais em Alagoas.

Já entre os setores com melhor remuneração aparecem:

  • Indústrias extrativas (3,8 salários mínimos);
  • Eletricidade e gás (3,6 salários mínimos);
  • Educação (2,8 salários mínimos);
  • Atividades financeiras (2,4 salários mínimos);
  • Administração pública (2,4 salários mínimos).

Mesmo com esses segmentos pagando acima da média estadual, eles representam uma parcela reduzida do mercado de trabalho alagoano.

 

Publicar comentário