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Casa Branca não confirma encontro entre Lula e Trump durante Assembleia da ONU.

Casa Branca não confirma encontro entre Lula e Trump durante Assembleia da ONU.

Itamaraty também não prevê reunião formal, mas admite possibilidade de conversa rápida entre os presidentes nos bastidores do evento em Nova York

Jornal de Penedo com Francesnews.
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Lula e Trump ainda não possuem reunião formal confirmada durante a Assembleia Geral da ONU. – Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Casa Branca ainda não confirmou uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Lula embarca para os Estados Unidos no próximo domingo (20) e fará o tradicional discurso de abertura do encontro na terça-feira (22).

Um porta-voz da Casa Branca afirmou que a agenda de reuniões do presidente norte-americano ainda não foi concluída. O Ministério das Relações Exteriores, por sua vez, informou que não trabalha com a expectativa de um encontro formal entre os dois chefes de Estado.

Apesar da ausência de uma reunião bilateral agendada, o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, admitiu a possibilidade de Lula e Trump conversarem brevemente nos bastidores da Assembleia.

Presidentes podem se encontrar entre os discursos

Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura do debate geral da ONU. Os Estados Unidos falam logo depois, por serem o país-sede da organização.

Essa sequência cria a possibilidade de um encontro rápido entre os presidentes nos corredores do evento. Em 2025, Lula e Trump conversaram por alguns minutos durante o intervalo entre os pronunciamentos.

Uma eventual conversa ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, o governo norte-americano retomou tarifas sobre produtos brasileiros, com alíquotas que chegam a 37,5%, sob a alegação de práticas comerciais desleais.

Outro episódio de desgaste foi a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi relacionada à demora do Brasil em conceder o aval diplomático ao representante indicado por Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

PCC e Comando Vermelho ampliam tensão diplomática

A relação entre os dois governos também foi afetada pela decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Autoridades brasileiras contestaram a classificação e apontaram possíveis riscos à soberania nacional. A preocupação é que o enquadramento seja usado para justificar medidas unilaterais ou ações estrangeiras contra as facções em território brasileiro.

Nesta semana, Trump enviou ao Congresso norte-americano um documento sobre países produtores ou utilizados como rota de drogas. Embora o Brasil não tenha sido incluído na relação formal, o texto afirma que o governo brasileiro teria falhado no enfrentamento ao PCC e ao CV.

O Ministério da Justiça rejeitou a crítica e declarou que a avaliação desconsidera as operações, leis e programas adotados pelo Brasil contra o crime organizado transnacional.

Lula terá agenda mais curta em Nova York

A participação de Lula na Assembleia Geral será mais curta do que em anos anteriores por causa da campanha eleitoral de 2026. A principal janela para reuniões bilaterais será a segunda-feira (21).

Até o momento, está confirmado um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também convidou Lula para uma reunião, mas o compromisso ainda está sob análise do governo brasileiro.

Lula discursará na manhã de terça-feira e deverá retornar ao Brasil depois da participação na abertura do debate geral.

A expectativa do Itamaraty é de que o presidente defenda o multilateralismo, o direito internacional, as negociações de paz e o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países. Lula também deve cobrar mudanças no Conselho de Segurança da ONU.

No restante da Semana de Alto Nível, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Outros ministros brasileiros também participarão de reuniões e eventos em Nova York.

 

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