Casa Branca não confirma encontro entre Lula e Trump durante Assembleia da ONU.
Itamaraty também não prevê reunião formal, mas admite possibilidade de conversa rápida entre os presidentes nos bastidores do evento em Nova York
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A Casa Branca ainda não confirmou uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Lula embarca para os Estados Unidos no próximo domingo (20) e fará o tradicional discurso de abertura do encontro na terça-feira (22).
Um porta-voz da Casa Branca afirmou que a agenda de reuniões do presidente norte-americano ainda não foi concluída. O Ministério das Relações Exteriores, por sua vez, informou que não trabalha com a expectativa de um encontro formal entre os dois chefes de Estado.
Apesar da ausência de uma reunião bilateral agendada, o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, admitiu a possibilidade de Lula e Trump conversarem brevemente nos bastidores da Assembleia.
Presidentes podem se encontrar entre os discursos
Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura do debate geral da ONU. Os Estados Unidos falam logo depois, por serem o país-sede da organização.
Essa sequência cria a possibilidade de um encontro rápido entre os presidentes nos corredores do evento. Em 2025, Lula e Trump conversaram por alguns minutos durante o intervalo entre os pronunciamentos.
Uma eventual conversa ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, o governo norte-americano retomou tarifas sobre produtos brasileiros, com alíquotas que chegam a 37,5%, sob a alegação de práticas comerciais desleais.
Outro episódio de desgaste foi a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi relacionada à demora do Brasil em conceder o aval diplomático ao representante indicado por Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
PCC e Comando Vermelho ampliam tensão diplomática
A relação entre os dois governos também foi afetada pela decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Autoridades brasileiras contestaram a classificação e apontaram possíveis riscos à soberania nacional. A preocupação é que o enquadramento seja usado para justificar medidas unilaterais ou ações estrangeiras contra as facções em território brasileiro.
Nesta semana, Trump enviou ao Congresso norte-americano um documento sobre países produtores ou utilizados como rota de drogas. Embora o Brasil não tenha sido incluído na relação formal, o texto afirma que o governo brasileiro teria falhado no enfrentamento ao PCC e ao CV.
O Ministério da Justiça rejeitou a crítica e declarou que a avaliação desconsidera as operações, leis e programas adotados pelo Brasil contra o crime organizado transnacional.
Lula terá agenda mais curta em Nova York
A participação de Lula na Assembleia Geral será mais curta do que em anos anteriores por causa da campanha eleitoral de 2026. A principal janela para reuniões bilaterais será a segunda-feira (21).
Até o momento, está confirmado um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, também convidou Lula para uma reunião, mas o compromisso ainda está sob análise do governo brasileiro.
Lula discursará na manhã de terça-feira e deverá retornar ao Brasil depois da participação na abertura do debate geral.
A expectativa do Itamaraty é de que o presidente defenda o multilateralismo, o direito internacional, as negociações de paz e o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países. Lula também deve cobrar mudanças no Conselho de Segurança da ONU.
No restante da Semana de Alto Nível, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Outros ministros brasileiros também participarão de reuniões e eventos em Nova York.



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