PF aponta contratos milionários, aeronaves e viagem de luxo ligados a Moraes e família no caso Master.
Relatório cita acordo de R$ 3 milhões mensais com escritório da esposa do ministro, negociação de até R$ 50 milhões e encontros com Daniel Vorcaro; defesa afirma que segundo contrato não foi assinado
Um relatório da Polícia Federal (PF) sobre as investigações envolvendo o Banco Master reuniu contratos milionários, mensagens, viagens e negociações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integrantes da família do magistrado.
Entre os pontos descritos pelos investigadores está um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões líquidos, chegando a R$ 3,646 milhões por parcela com os tributos previstos no documento.
A PF também identificou o nome “Ministro Alexandre de Moraes” nos metadados de duas versões das minutas desse contrato.
Os metadados representam um elemento técnico sobre a edição dos arquivos, mas, isoladamente, não permitem concluir quem estava fisicamente utilizando o computador nem quais alterações foram realizadas.
PF encontrou R$ 13,6 milhões em comprovantes
Segundo o relatório, a primeira minuta foi encaminhada por Viviane a Vorcaro em 11 de janeiro de 2024. A última modificação do arquivo estava registrada em nome do usuário “Ministro Alexandre de Moraes”.
Situação semelhante teria ocorrido com a versão final encaminhada dias depois. O contrato acabou assinado em 23 de janeiro de 2024.
A investigação localizou quatro comprovantes de transferências ao escritório entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025. Os pagamentos, de R$ 3.422.268,14 cada, totalizaram aproximadamente R$ 13,6 milhões.
Mensagens analisadas pela PF também indicariam a importância atribuída por Vorcaro aos pagamentos. Em uma conversa de março de 2024, o banqueiro teria classificado o repasse ao escritório como o “pagamento mais importante” e afirmado que não poderia atrasar.
Segundo acordo previa até R$ 50 milhões e aeronaves
Outro ponto do relatório é uma negociação envolvendo um segundo contrato de honorários, com limite remuneratório de R$ 50 milhões líquidos durante 36 meses.
Uma das propostas previa que R$ 40 milhões fossem quitados mediante cotas de duas aeronaves, um jato Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1. Os outros R$ 10 milhões estariam relacionados ao reembolso de despesas decorrentes da utilização das aeronaves.
Em uma das mensagens reproduzidas pela investigação, um sócio de Vorcaro perguntou a Viviane se estavam gostando da utilização das cotas. Ela respondeu afirmativamente.
O escritório Barci de Moraes, porém, afirmou após a divulgação do relatório que o segundo contrato não foi assinado e seus termos não foram aceitos. Segundo a manifestação, também não houve recebimento das cotas das aeronaves ou de outros ativos previstos na negociação.
Essa distinção é relevante: o relatório descreve uma proposta e tratativas, enquanto o escritório nega que o negócio tenha sido efetivamente celebrado.
PF mapeia viagem a Londres
A investigação também aborda a participação de Moraes no I Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 27 de abril de 2024.
Segundo o material atribuído à PF, despesas da viagem seriam custeadas e houve organização de transporte específico para participantes considerados VIPs, com veículos Mercedes-Benz S-Class e motoristas. Moraes e o ministro Dias Toffoli aparecem entre os nomes mencionados.
Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam ainda participação de Moraes em discussões relacionadas a convidados e à programação.
Para uma segunda edição do evento, planejada para 2025 e que não chegou a ocorrer, uma mensagem de uma funcionária do marketing teria informado Vorcaro sobre contato de um assessor de Moraes para tratar da emissão de passagem aérea. Vorcaro teria autorizado a emissão.
Relatório também cita experiência de luxo
Outro episódio descrito no material envolve a organização de uma recepção de luxo no Six Senses Botanique, na região de Campos do Jordão.
Segundo o relatório, mensagens tratavam de uma comitiva associada ao nome “Alex”, com planejamento de almoço, chef particular, passeios a cavalo e atendimento para convidados e seguranças.
Há, porém, uma inconsistência temporal no material divulgado: o texto fornecido situa esse episódio em “dezembro de 2026”, data posterior à publicação da própria reportagem, em 2 de setembro de 2026. Sem outro documento que esclareça a data correta, ela não deve ser apresentada como fato confirmado.
Os elementos reunidos pela Polícia Federal integram uma investigação e não equivalem, isoladamente, à comprovação de prática criminosa por Alexandre de Moraes ou seus familiares.



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